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7 MIN DE LEITURA#política

Voltar a falar em revolução não é nostalgiaé gramática.

Gustavo Rocco· carta· política
CAPA · ESBOÇO · CADERNO ROCCO · ABR 2026

Essa é uma carta aberta, mas vai endereçada a você — sim, você que parou de dizer revolução achando que estava sendo realista. Eu também parei, por uns três anos. Voltei. Esse texto é o porquê.

Existe um tipo de auto-censura que se disfarça de maturidade política. A gente troca o vocabulário sem perceber e acha que tá afiando o discurso. Não tá. Tá esvaziando.

Trocar a palavra muda o teto

Quando a esquerda parou de dizer revolução e passou a dizer reforma, e depois política pública, e depois só gestão, ela não ficou mais técnica. Ela perdeu teto.

O teto é a altura máxima do que a gente consegue imaginar coletivamente. Ele não é tática. Ele é gramática. Ele é o limite invisível do que cabe numa frase política.

A primeira derrota é gramatical. As outras vêm depois.

Conceição Evaristo

Mas revolução não é só ruptura

Aqui é onde quase todo mundo trava. Porque revolução virou sinônimo de pegar em arma — e ninguém com responsabilidade real propõe isso hoje no Brasil de 2026.

Só que revolução nunca foi só ruptura armada. Foi reorganização de quem decide o quê. Foi mudança de quem fala em nome de quem. Foi inversão de quem é convidado pra mesa.

Reabrir o vocabulário

Eu não tô pedindo pra ninguém botar foice no cartaz. Tô pedindo pra ninguém baixar o teto. Tô pedindo pra a gente parar de chamar de inviável o que é só ainda-não-feito.

  • Reforma agrária ainda é palavra possível — e necessária.
  • Imposto sobre fortuna é técnica boa. Mas a palavra antes dela é redistribuição.
  • Estado de bem-estar volta pelo nome. E só pelo nome.

Falar em revolução em 2026 é exigir que o vocabulário acompanhe a urgência. Não é nostalgia dos anos 60. É honestidade com o presente — que é pior do que os anos 60 em muita coisa.

— rocco · 24 abr 2026

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Comentários · 3

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  • joao.s

    Essa carta é desconfortável da forma certa. Voltei a usar a palavra ano passado, depois de uns 5 anos sem usar. A diferença em como gente mais nova reage é gigante.

  • roccoAUTOR

    João, exatamente. A geração que entrou pra militância depois de 2018 nunca teve a palavra como vocabulário cotidiano. Recuperar custa — mas o custo de não recuperar é maior.

  • tati_pe

    Acho perigoso o tom otimista. Mas concordo com o diagnóstico. Vamos ver o que vem na próxima carta.

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